As
circunstâncias justificam determinadas atitudes do homem? Diversos pensadores
desdobram seu pensamento acerca de como a influência externa justifica as ações
das pessoas. Segundo Marquês de
Maricá, “não somos sempre o que queremos, mas o que as circunstâncias
nos permitem ser”. No entanto, o homem
como ser racional modifica a natureza adaptando-a a sua forma de viver. O homem
em sociedade produz tecnologia, cultura, elabora instrumentos de adaptação
social. Submeter-se à natureza é opção para o homem cultural. Para Stuart
Mill, “ainda que as circunstâncias influam sobre o nosso caráter, a
vontade pode modificar as circunstâncias em nosso favor”.
Quando
falamos em circunstâncias a que o homem está submetido, nos referimos em diversos
aspectos da vida humana. Desde o aspecto natural quando consideramos que o
homem possui a capacidade transformadora do mundo a sua volta, ao aspecto
social, no tocante a submissão da ética do homem nas relações de desigualdades e
opressão.
Entretanto,
o homem não está imune ao mundo a sua volta. A vida social contribui para a
formação do caráter das pessoas. Podemos dizer então que o homem é submetido às
condições impostas a ele até o momento que tem a capacidade de refletir sobre
sua condição. A capacidade de refletir, o diferencial humano em relação aos
outros seres vivos, o torna também responsável por suas ações. A postura de que
as condições irão determinar as ações é conformista à medida que o homem detém
a capacidade de mudar a sua realidade. “A causa da derrota, não está nos
obstáculos, ou no rigor das circunstâncias, está na falta de determinação e
desistência da própria pessoa” (Buda). Todavia,
essa concepção não pode servir de justificativa para a alienação perante as
desigualdades. Essa complexidade exige atenção.
Para
que o homem se torne capaz de intervir sobre o seu destino diante as
circunstancias impostas é preciso que ele adquira a capacidade libertadora do
conhecimento. É um processo evolutivo que não é somente individual, constitui
um idealismo compartilhado por toda a sociedade.
Ginaldo Laranjeiras
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