quarta-feira, 27 de março de 2013

HOMEM DE CIRCUNSTÂNCIAS?



As circunstâncias justificam determinadas atitudes do homem? Diversos pensadores desdobram seu pensamento acerca de como a influência externa justifica as ações das pessoas. Segundo Marquês de Maricá, “não somos sempre o que queremos, mas o que as circunstâncias nos permitem ser”. No entanto, o homem como ser racional modifica a natureza adaptando-a a sua forma de viver. O homem em sociedade produz tecnologia, cultura, elabora instrumentos de adaptação social. Submeter-se à natureza é opção para o homem cultural. Para Stuart Mill, “ainda que as circunstâncias influam sobre o nosso caráter, a vontade pode modificar as circunstâncias em nosso favor”.
Quando falamos em circunstâncias a que o homem está submetido, nos referimos em diversos aspectos da vida humana. Desde o aspecto natural quando consideramos que o homem possui a capacidade transformadora do mundo a sua volta, ao aspecto social, no tocante a submissão da ética do homem nas relações de desigualdades e opressão.
Entretanto, o homem não está imune ao mundo a sua volta. A vida social contribui para a formação do caráter das pessoas. Podemos dizer então que o homem é submetido às condições impostas a ele até o momento que tem a capacidade de refletir sobre sua condição. A capacidade de refletir, o diferencial humano em relação aos outros seres vivos, o torna também responsável por suas ações. A postura de que as condições irão determinar as ações é conformista à medida que o homem detém a capacidade de mudar a sua realidade. “A causa da derrota, não está nos obstáculos, ou no rigor das circunstâncias, está na falta de determinação e desistência da própria pessoa” (Buda). Todavia, essa concepção não pode servir de justificativa para a alienação perante as desigualdades. Essa complexidade exige atenção.
Para que o homem se torne capaz de intervir sobre o seu destino diante as circunstancias impostas é preciso que ele adquira a capacidade libertadora do conhecimento. É um processo evolutivo que não é somente individual, constitui um idealismo compartilhado por toda a sociedade.



Ginaldo Laranjeiras

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